Operação "Pactum Amicis": Polícia Civil detalha esquema de corrupção que afastou prefeito de Pesqueira
Esquema criminoso revelado pela operação envolvia superfaturamento, favorecimento político e divisão de funções entre servidores e empresários
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A Polícia Civil de Pernambuco revelou nesta quinta-feira (3) os detalhes da operação "Pactum Amicis", que resultou no afastamento do prefeito de Pesqueira, no Agreste do estado, Marcos Xukuru, também conhecido como Cacique Marquinhos Xukuru.
A investigação, conduzida pela 3ª Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), aponta a existência de um esquema de corrupção generalizada envolvendo fraudes em licitações, favorecimento a empresários e desvio de recursos públicos.
Segundo a polícia, as investigações tiveram início em 2022 e identificaram irregularidades em pelo menos 15 processos licitatórios, relacionados a contratos de obras públicas e aluguel de veículos.
As fraudes beneficiavam empresários que apoiaram financeiramente a campanha de Marcos Xukuru e outros políticos nas eleições. Após a vitória eleitoral, esses empresários venciam licitações com frequência, algumas vezes cobrando valores acima do mercado pelos serviços prestados.
De acordo com o delegado Jeová Miguel, responsável pela investigação, o caso teve início durante uma apuração voltada ao tráfico de drogas na região. No decorrer das diligências, a polícia encontrou indícios de crimes contra a administração pública, praticados por uma empresa envolvida com a prefeitura. A partir daí, o foco passou a ser a corrupção no município.
“A gente acreditava que era um caso isolado, mas após três anos de investigação, conseguimos obter um vasto material probatório que demonstra se tratar de uma corrupção institucionalizada. Há uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções entre políticos, servidores públicos e empresários", afirmou o delegado em entrevista a TV Jornal.
O esquema contava com servidores estrategicamente posicionados em setores essenciais da administração, como comissões de licitação e fiscalização de contratos, garantindo o direcionamento das licitações. Estima-se que os contratos irregulares tenham gerado um prejuízo de cerca de R$ 15 milhões aos cofres municipais.
A operação cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, resultando na prisão de um empresário e no afastamento do prefeito e de outros agentes públicos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
