Personal cis é confundida com mulher trans e é impedida de usar banheiro em academia no Recife
A mulher, que é cisgênero, ou seja, se identifica com o gênero atribuído ao nascer, foi defendida por uma aluna que estava no momento

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Uma mulher, que atua como personal trainer, foi impedida de utilizar o banheiro em uma academia no bairro de Boa Viagem, no Recife, após um homem afirmar que ela não poderia ir ao banheiro feminino por ser trans.
A mulher, que é cisgênero, ou seja, se identifica com o gênero atribuído ao nascer, foi defendida por uma aluna que estava no momento e ficou revoltada com toda a situação.
O homem estava acompanhado por uma mulher e, segundo a personal, ela também agiu de maneira preconceituosa.
A vítima, Kelly Moraes, de 45 anos, acredita que a atitude do casal é um reflexo preconceituoso sobre a aparência dela, que possui traços de fisiculturista.
"Ela disse que eu não podia entrar naquele banheiro e apontou", contou a personal trainer. "Eu perguntei a ela o porquê e ela disse que aquele não era banheiro para homem. E que eu era um homem, que eu tinha que ir no banheiro lá embaixo que era um banheiro para trans", disse.
"Ele veio, tomou as dores dela e foi muito mais agressivo do que ela. Ele me impediu, com o corpo, de eu não entrar no banheiro", contou Kelly sobre o homem.
Kelly registrou Boletim de Ocorrência e aguarda uma investigação rigorosa sobre as atitudes do casal e o constrangimento vivenciado.
"Temos um viés cível, dos danos morais, e um viés penal, que aí nos chamaremos o ministério público para o processo, para podermos apurar melhor isso, com a filmagem das câmeras, testemunhas, entre outras coisas", afirmou Pedro Pinheiro, advogado da vítima.
Violência
Em dezembro de 2023, outra mulher cis sofreu uma violência devido a homofobia.
Uma mulher, de 34 anos, foi agredida com um soco no rosto enquanto saia do banheiro feminino de um restaurante no Recife.
De acordo com a vítima, a violência aconteceu porque um cliente acreditava que ela fosse uma mulher trans.
Batalhas diárias
Ambas as vítimas, apesar de mulheres cis, vivenciaram na pele o sofrimento diário de mulheres trans.
Entidades de proteção afirmam que a utilização de banheiros ainda gera bastante polêmica, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não definiu uma decisão clara.
Na última avaliação, a maioria dos ministros do STF compreenderam que na pauta não existe uma questão constitucional.
Kelly espera ser um exemplo de que o combate ao preconceito precisa ser um dever de todos.
"Eu tenho a oportunidade de falar, porque existe muitas mulheres que passam pelo que eu passo e ficam caladas para evitar problemas, coo muito eu escutei lá: fica quieta, fica calada, a cala boca", disse Kelly.
"E a gente se cala, a gente se diminui para não fazer alarme, mas eu estou cansada. Eu estou cansada disso. Eu estou cansada de chegar em um canto e ser vista como um ET, ser vista como uma coisa de outro mundo", concluiu.
Em nota, a Selfit Boa Viagem II, local onde aconteceu o caso, reitera que repudia qualquer ato de preconceito ou violência e lamenta o caso.